quinta-feira, 15 de novembro de 2012

*** Outono ***



Quando o amanhã chegar
E vestir de lembranças
O tempo da tua, das minhas saudades.
Pare... Olhe além das paisagens
No horizonte
Onde se perderam os sonhos
Esvoaçados pelo vento
Onde quimeras criadas se diluem
E fantasias se desfazem...
Das primaveras esquecidas no fundo da memória
Descortinam lembranças
Dos sonhos inacabados
Suspensos por fios invisíveis
Chegam de mansinho adentrando a porta
Desfazendo flores espalhando folhas
Num derrame de saudades
Nos olhos do tempo
Da tua saudade.

Guarulhos, 25/09/09
Darcy Bilherbeck

sábado, 10 de novembro de 2012

*** Momento ***


Meu corpo  flutua sobre as ondas
 Do mar do mar imenso...
 Deixo-me levar
No balanço das ondas
Me descubro oceano...
Imenso
Sou água
Cristalina enquanto na sua essência
Mas também sou intensa
 Passional
Me deixo levar as profundezas
Onde esqueço de mim
Já não me cobro nada
 Pois vivo em toda molécula
Sou um todo e já não sou nada
Você não me vê, mas me sente.
Estou tanto na sua solidão
Quanto no seu sorriso e nas profundezas me movimento
Eu e meus fantasmas eu e meus medos eu e minha alma
Sou o tempo que se cala e espera
Que o vento sopre e me carregue, pois sou espuma
Na superfície das ondas
Não tenho pressa de voltar
No abandono encontro a minha liberdade.

São Paulo, 26 de Agosto de 2011.

Darcy Bilherbeck.









segunda-feira, 8 de outubro de 2012

AH SE...

AH SE...

Pudesse esse poema ter o poder de calar as dores da minh'alma...
Pudesse essas palavras trazer um pouco mais de claridade a minha estrada...
Uma luz que iluminasse os meus pés, percorresse as minhas mãos, irradiasse pelo meu corpo e ofuscasse os porões do meu coração.

Pudesse as lágrimas que agora vertem em minha face.
Transformassem-se em cristais límpidos, puros e cintilantes.
Pudesse êsse sutíl clamor de letras quebrantadas
subir até as nuvens e retornassem em copiosas chuvas.

Por Arnalda Rabelo.

































quinta-feira, 4 de outubro de 2012

*** A Veradeira Essência ***




Já de nada vale a inquietação. Tudo tem um início e um fim...

Os dias não começam nem acabam hoje. Nem o sol, nem o crepúsculo.

Os sonhos são indomáveis…


Perde-te no bailado que as sombras te oferecem, para que à noite assistas tranquilamente ao embalar das palavras no colo da lua.

As tuas mãos perfumadas de alecrim, parecem adormecer sobre a noite. Inertes, acariciam as palavras que descansam no acolchoado das nuvens.


Não fales! Silencia o momento… sente a fragilidade dos ventos, das névoas, das esperanças, dos silêncios que as noites e os dias guardam dentro de ti.

Há momentos na vida, só para escutar…

 

Os ramos das árvores, soltam sussurros nos braços dos ventos onde a memória escreve recordações em vales banhados pelos néctares das primaveras.

Nas leiras do tempo, escoam-se vidas entre o tempo que dura o cair das folhas dos plátanos, repartido entre manhãs e noites e pouco mais…

Guardamos, sabe-se lá onde, sorrisos largos, tão grandes que por vezes não cabem nos olhos que iluminam a trilha dentro de nós.

Mas também aprendemos a sentir o rolar das lágrimas, pelas pestanas dos rios dos nossos olhos, sem revolta… porque à nossa frente, cantam rouxinóis que desafiam a nossa coragem e assim, a força prevalece.

Tão frágil a vida, e nós, todos nós… mesmos aqueles que pensam ser donos de si próprios, feitos de nada quando uma brisa mais forte sopra…

E assim corre o tempo no rio da vida,

Sóis de amor, de saudade

De luta, de desfrute

De dor, de alegria

Ilusões, vitórias, derrotas…

E assim se julga viver, quando nos é permitido olhar o azul intocável do céu, sentir o cheiro envolvente do mar ou contemplar o simples voo duma gaivota...

Meigo é o silêncio que nos revela a verdade de nada sermos, nos adiamentos, nos sonhos, nas vozes que guardamos em surdina dentro de nós.

Mas no lar da simplicidade semeiam-se nenúfares na íris da vida, pinta-se de cores o breu da noite, inala-se demoradamente o perfume das flores campestres.

É lá que habitam as memórias… permanecem mesmo depois do fim. Escrevem-se no respirar do tempo, nos cantos dos pássaros, nos risos das crianças, nas paredes brancas das casas humildes, no cheiro das madeiras…

Ouves o crepitar do silêncio na lareira do sonhar?

Está reservado aos nobres de espírito. Sei-te um deles!
Vai! Procura o cheiro do rosmaninho nas montanhas, mesmo que tenhas que inventar asas e sobrevoar o teu tempo. Vai! No lugar mais recôndito, encontrarás o que procuras… não estarás só, os olhos dos pássaros dar-te-ão a visão necessária para que possas encontrar a tua verdadeira essência…

Cecília Vilas Boas







































sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quando chegares...
Não sei se voltarás
sei que te espero.

Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.

A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...

Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...
( Poesia de JG de Araujo Jorge -

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Para o Meu Ser

segredos...





Procuro a chave dos segredos que os meus olhos escondem…
Pestanejam como se fossem asas silenciosas de pássaros
Em busca da esplendorosa brisa matinal


Atravesso oceanos em folhas de papel repletos de palavras
Ouço a música que toca nos braços da lua
E, num arco de gerânios, balanço o meu corpo levemente...
Olho o mundo sobre as cores do arco-íris
Quedo-me nesta beleza silenciosa... 


Os grãos de esperança que se soltam dos meus dedos
Semeiam espigas de bondade, na auréola agitada pelos ventos
Lançando rebentos nas folhas perfumadas da poesia...

Contemplo as gaivotas que povoam o areal no final da tarde...
Permanecem absortas no ondular do vento que vem beijar o mar
E nos fios de luz, saboreiam o silêncio que os Homens deixam ao cair do dia

Gosto de pincelar a alma com os aromas dos jardins
E olhar as nuvens…
Num bailado, desenham cavalos com longas crinas
Que galopam pujantes nas ondas dos mares revoltos
Bebem na voz da maresia, a força dos dias

O
s meus olhos…
Que segredos me escondem,
Quando embarcam em cascas de noz e partem de mim…?


Cecília Vilas Boas


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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Procura-se (Sônia Schmorantz)

Procura-se
A aurora desperta pelo azul do mar,
a quietude outonal de rasga o dia,
a vida que ressurge rara após noite escura.

Procura-se
A esperança que saiu voando sem rumo,
uma alma alada como pássaro,
que desapareceu entre o céu e o mar.

Procura-se
Sonhos pássaros perdidos na névoa tardia,
ventos leves, leves como o pensamento.

Procura-se 
Uma chance, uma sorte, uma nova saída,
uma ilha, um pouco de paisagem,
um verso capaz de descrever o instante.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Serenidade (Arnanda Rabelo)


Ando tão quieta ultimamente...
Na verdade tenho apreciado toda essa quietude.
Uma das coisas que essa vida tem me ensinado é calar-me.
Calar-me quando não tenho as respostas...
Calar-me quando não tenho as perguntas...
Não questionar em hipótese alguma, aquilo que não se pode mudar.
E olha que para mim não tem sido assim tão simples
Tenho as palavras meio inquietas nos lábios
Se eu não tomar cuidado elas saem
sem a minha permissão.
...
Enquanto isso, me permito um carinho e cuidado
Transporto-me á um jardim e deixo que descanse o meu coração.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

*** Olhar ***


                                    

É de manhã
Aqui estou sentada na areia
Contemplo o mar imenso
Suas águas estão verdes e tranqüilas
Mansamente banham as areias
 Onde descansam meus pés
Fecho os olhos e me deixo embalar
Por esta calma que me invade
O pensamento rapidamente se liberta
E vagueia como as ondas indolentes
Criando asas e como as gaivotas brancas
Em sua caça matinal depois voam em direção a ilha
No meio do mar onde fazem sua morada
O meu olhar se perde no horizonte
 Pega carona no vento, o coração se acalma
Meu corpo exaurido pela caminhada se entrega
Sob o sol ameno desta calma manhã
Olho pro céu azul onde vislumbro ainda algumas estrelas
E a lua que mansamente cede lugar ao sol  
Entrego-me à carícia morna
De suas águas cristalinas no balanço das ondas
Sinto meu corpo ser levado
E lavado ao sabor das ondas
Deste imenso mar, estou de volta ao lar.
 Guarulhos, 10 de outubro de 1998.
 Darcy Bilherbeck.

sábado, 4 de agosto de 2012

**** Coração ***




















O coração guarda emoções
que os olhos não escutam
que a boca emudece
que os ouvidos calam
O coração perdoa
o que os olhos não vêm
escondem na boca a angustia
das palavras,
O coração perdoa
o que os ouvidos sentem
no sussurrar das palavras
O coração expressa
quando o "Amor" nasce
O coração se alegra
expande-se quando
os olhos sorriem
O coração vai à boca
quando a saudade aperta
O coração sangra
quando desaparece
a esperança
O coração da gente
é um misto de amor
e alegria, é vento que
canta e dia que nasce
O coração é um jardim
chamado amizade
plantamos sentimentos
que só ele conhece
O coração é um tempo
ou um templo complexo
de emoções constantes
diversas...
O coração lê o que vai
na alma do tempo
quem dera fosse possível
desvendar seus segredos
percorer seus caminhos
filtrar seus vasos
plantar sementes e deixar
sorrisos nas retinas
claras do amor
No tempo templo
de todo ser...  

    Darcy  Bilherbeck  
                      08/08/08

segunda-feira, 30 de julho de 2012



                                              **** Desatino ***
Que grito é esse que explode esparramando larvas
Como um vulcão adormecido que eclode do nada
Que solidão tamanha...
Que desatino é esse que rasga o véu da inércia
 Deixando-te despida das couraças
Que dor tamanha te encobriu tempo afora
Que agora aflora enlouquecido
Cobrando vida, sentimentos e esperanças.
Que tempo é esse que corre e grita
Silencia e alimenta o nada
Que trapaça... Que desgraça te feriu a alma
Para purgares teu desalento
Como larvas corrosivas rasgando tua carne
 Deixando-te em frangalhos
Que tempo é esse que não perdoa
A criatura mortal de amar
 Amar com toda sua alma vulnerável
Que só pediu um pouco do muito que poderias dar
Egoísta não percebeu o quanto te feria
Deixando-te sozinha
Sem saber o que fazer desse amor.

São Paulo, 05 de dezembro de 2005.

Darcy Bilherbeck.

quinta-feira, 26 de julho de 2012


*** Por onde Andei ***
Tantos foram os caminhos por onde andei
A tua procura... Talvez
Quando estavas tão perto Chego! Encontro-te
Teus olhos, teu sorriso teu rosto.
Minh’alma te reconhece além do tempo
Sem hesitação...  tudo para mudos numa entrega única
Onde as palavras se calam na garganta
Ali parados inertes uma fração de tempo sem precedentes
Como se nossas velhas almas se reconhecessem
E nesse encantamento... Invade meus segredos mais profundo
Foi tanta a emoção que me perdi de mim
Perdi você em segundos... Ali suspensa
Tocada no mais profundo de meu ser
Guardei com mil segredos, fugi de mim.
E cada segundo que fingi viver por mim
Os vivi por você sem ter noção, fiz de você o sol que me aquecia.
E a luz dos meus dias...
Criei couraças contra o que me feria
Nas minhas solidões te fiz senhor e quando sozinha me escondo do vazio
Te encontro nos segredos e me perco na tentativa de me achar em você
Quando me olhas querendo evitar o nosso encontro tão patente
Para não despir os nossos olhos no afago disfarçado de nossas mãos
Que se tocam ao acaso de um encontro inesperado.
Jundiaí, 20/02/79
Darcy bilherbeck.