quarta-feira, 8 de junho de 2011

**** Vestindo Sonhos ****


Como um oceano revolto
O pensamento resiste...
O sentimento se liberta
Parte...
Rompendo fronteiras
Limitadas da razão e da lógica
Aparente...
Parte em busca do que ficou
Em algum lugar do passado
Ainda presente
Que se choca entre o concreto hoje
E o abstrato suspenso nas entrelinhas
Guardadas da emoção.
Já sou duas e às vezes
Sou tantas... Outras
 Visto sonhos e me perco em você.
Hoje visto saudades e saio às ruas
A te procurar...
Acordo!
Na realidade amarga da razão
E nela descubro tua ausência tão patente...

São Paulo, 12 de março de 2011
                Darcy Bilherbeck.

domingo, 5 de junho de 2011

Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor,
Onde houver ofensa , que eu leve o perdão,
Onde houver discórdia, que eu leve a união,
Onde houver dúvida, que eu leve a fé,
Onde houver erro, que eu leve a verdade,
Onde houver desespero, que eu leve a esperança,
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria,
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais
consolar que ser consolado;
compreender que ser compreendido,
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe
é perdoando que se é perdoado
e é morrendo que se nasce para a vida eterna...

sábado, 14 de maio de 2011

****Quando Abri os Olhos ***


De repente...
Descubro-te humano, sujeito a falhas
Isto atordoa a imagem criada
Amei-te de mil maneiras
De repente...
Descubro-te impotente sujeito a críticas pueris
E um tanto irresponsável
Isto dói...
Porque te amei, puro a beira da perfeição
Quis-te até os limites e além de todas as fronteiras
De repente...
Descubro-te pobre, dos preceitos mais simples
Que a tua imagem embaçou
Descubro em fim
Que amei uma imagem além e indistinta
Pois só sendo assim eu poderia te amar
De repente...
Descubro-te, como sempre quiseste
Que eu te visse...
Só não sabias que incorrias no risco
De não ser mais amado...

São Paulo, 19 de novembro de 1992

                   Darcy Bilherbeck

sexta-feira, 13 de maio de 2011

*** Alma Desnuda ***


Sair!
Entregar-me ao vento
Esquecer meu corpo nas curvas do caminho
Perder-me no tempo do lugar comum...
Encontrar o meu “Eu” despido do ontem e
Despontar no sol de algum lugar
Não esperar de outrem o que depende de mim
A força oculta que cala a dor e impele à luta...
Não importa a porta o caminho, o vazio, se busco luz
Achá-la -ei! Onde
Onde estiver a minha fé
Pois o meu Deus neste momento
Sou “Eu”...
Serei minha força, serei minha justiça
Farei dos meus  princípios
A minha “Lei”
Nela andarei 
e por todos os caminhos
Por onde eu andar plantarei a semente
Pelos campos da vida
Colherei os frutos da auto-estima
Se usar a sabedoria do dividir
Olharei...
Um dia o sol de um novo amanhecer
Farei parte do Universo
amando a terra o mar, o ar
Achando a luz,
encontrando a paz..

.São Paulo, 08 de janeiro de 1995

Darcy Bilherbeck.

domingo, 8 de maio de 2011

*** Entrelinhas ***

Quando você surgiu em minha  vida
extasiada em fantasias loucas                            
 fiz um mundo e criei você
Você sorriu! E eu acreditei
Que era para mim
Por ele escalei todos os obstáculos
Tola ilusão
Você deixou que eu te amasse
No teu mundo
Eu não perguntei, não quis saber
Se havia lugar para mim
Amei!
Como te amei!
De forma total e absurda
Você... Não disse nada
Eu segui
Cega e surda
Num amor louco
Num mundo desumano
Desfiz-me de todos os segredos
Hoje...
Depois do nada
Descubro
Que não fiz nenhum mundo
Foi o nada do mundo
Que me fez amar você...
                 São Paulo, 09 de setembro de 1985
                        Darcy Bilherbeck.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

**** Natureza ***


                           NATUREZA     

                        O homem como predador
         Acha a natureza linda e exuberante
                         Com suas diversidades
         Esquece de cuidar do que de graça lhe foi dado
                          Desmata
         Sem piedade corta, fere,sangra
                  Como se não bastasse, queima
          Galho, troncos, raízes retorcidas
                           Nada resta!
                      Tudo acabou?
                            Não...
          Ainda existem aqueles que se compadecem
                     E choram com tanta destruição,
                              Não só contemplam
                              Não só choram
          Recolhe, limpa, lava, lava, cuida
                              Das feridas
          Remove cinzas, carvão, cascas e detritos
                     Com paciência, cuidado e amor
                               Esculpe...
          Aos poucos lentamente vai descobrindo formas
                     Suaves e às vezes agrestes
                            
           O amor enobrece enfeita...
                     Traz de volta a beleza
           Esculpida pelo fogo, transformadas em obras
                               De Arte.
           Voltando outra vez ao homem o seu destruidor
                                Sem deixar esquecer de onde foi tirada.
           Retornando com sua beleza à natureza
                                 Agora em Obras de Arte.
                     Até quando? O homem
           Seguirá destruindo a natureza...


                                   Itáipuaçu, 08/10/2004.
                                                                    Darcy N. Bilherbeck


Grande nome nas esculturas, conhecida como a sucessora do escultor austríaco Krasjberg, o precursor da arte em raízes em arvores queimadas no Brasil, Darcy Bilherbeck alcança hoje a mais alta escala de qualidade na criação de esculturas com raízes. Lapida as peças e as trata com anti-fungicidas e anti-bactericidas e todos os recursos de preservação, envernizando-as e mantendo-as por anos sempre intactos e com a beleza irreverente das grandes e maravilhosas criações. As esculturas em raízes queimadas pelo fogo recebem, após o tratamento, incrustações de pedras semi-preciosas brasileiras, em geral com base em granito. A escultora, sempre inovando com as suas peças únicas, busca formas inusitadas nas próprias raízes. Seus trabalhos atravessam fronteiras e vão além dos continentes.
Sou apenas a garimpeira que tráz de volta à vida o que o homem através do fogo tentou destruir, quem dera eu pudesse transformar todas as raizes que vejo jogadas por aí em arte, para enfeitar e mostrar ao homem que tanto destroi a nossa natureza o mal que faz contra  ele mesmo. Que pouco se importa se está destruindo vidas ou derrubando e queimando àrvores ou matando gente,cada raiz é única mesmo sendo da mesma espécie você não vai encontrar outra igual.
Pense na natureza com carinho pois fazemos parte do todo.

Joelho de Cristal
Obra premiada com Medalha Bronze em Londres
em 2008. exposição realizada pelo Instituto Cultural Século e Arte, que tem como presidente a Srª Viviane Spena que muito tem feito pela arte Brasileira no Brasil e no Mundo, grande conhecedora da arte e também excelente artista plástica e retratista, detendo grande conhecimento das galerias de arte no Exterior.

domingo, 24 de abril de 2011

*** Anseios de Liberdade ***



Você chega...
Mansamente vai tomando espaço
Em minha vida
Assim! Como quem chega e já é há tanto
Esperado.
Sem querer, te estendo os braços
No mundo já tão cheio de embaraços
Que nos faz estranhas criaturas
Que conseguem superar o feio e o triste
Fazendo com que a beleza do amor primário
Que nos atrai... Esse que não se desgasta
Nas teias da falsidade aparente
Que tantas vezes nos afasta.
É quando chegamos... Eu pra você
E você pra mim tão diferente
Nos tocamos mudos, numa emoção clara como
Que entontece a nossa razão já tão corroída
Só então percebemos que a pureza ainda existe
Em nossos corpos.
Temerosos tentamos, fugir numa ânsia louca
De querer ficar... Sem medos , livres para a vida
Que nos sorri.
É então... Você me estende outra vez os braços
E já não quero mais fugir
Pois preciso dos braços para poder viver e sorrir.

                            São Paulo,23 de junho de 1987.
                                                Darcy Bilherbeck.


*** O Vento ***

O vento que varre as ruas
trazendo a chuva, fina e cortante
molhando meu corpo espalhando pelas vestes
tomando meu corpo lavando minh'alma
este mesmo vento  e esta chuva me levam de volta
ao passado...
que achei ter deixado ao largo do destino
quanta ilusão!
Açoitando meu rosto sem piedade.
me trazem de volta... Saudades adormecidas,
lembranças!!
retalhos perdidos num canto qualquer da memória.
Há! que peças  me pregam, me fazendo ver e sentir na pele que por mais que passe, as ruas serão as
mesmas.
O tempo ... Meu algoz segue seu curso.
O vento sempre espalhará as cinzas, revolvendo as lembranças, acordando as saudades
dos abraços guardados sob a pele.
Que o vento aflora quando passa ...Viverei tempos de inercia e de tempestades
me envolverei neles e buscarei saídas e retornos extremos, só assim, vivendo o tempo em cada tempo.
acharei o tempo das lembranças e ainda assim tecerei saudades, pois sempre haverá ventanias que me levarão de volta ao passado onde você está ...

                    São Paulo ,03 de Outubro de 2004
                           Darcy Bilherbeck

segunda-feira, 11 de abril de 2011

*** Labirintos***


                     Labirintos

Por você!    Rompi tantas cadeias
Me despi de tantos laços
Por você!
Me desfiz dos braços
Me converti à solidão
Onde agora me choco
Tentando esquecer
As vozes, os sons, o riso
Percorrendo labirintos sem retorno
Emudecendo os sentidos
Anulando cada vez mais a matéria
Retornando as origens
A fragmentação do ser humano
Se descompondo, se reduzindo
Ao nada do qual um dia nos formamos
Deixando de ser...
Corpo, pele, alma ou espírito
Matéria ou invólucro
Em fim...
Deixar de ser objeto pensante
Tornar-se nada e ao nada
Retornar...
Para poder outra vez
Viver...

                                 São Paulo, 05 de março de 1981

                                                 Darcy Bilherbeck.