quinta-feira, 4 de outubro de 2012
*** A Veradeira Essência ***
Já de nada vale a inquietação. Tudo tem um início e um fim...
Os dias não começam nem acabam hoje. Nem o sol, nem o crepúsculo.
Os sonhos são indomáveis…
Perde-te no bailado que as sombras te oferecem, para que à noite assistas tranquilamente ao embalar das palavras no colo da lua.
As tuas mãos perfumadas de alecrim, parecem adormecer sobre a noite. Inertes, acariciam as palavras que descansam no acolchoado das nuvens.
Não fales! Silencia o momento… sente a fragilidade dos ventos, das névoas, das esperanças, dos silêncios que as noites e os dias guardam dentro de ti.
Há momentos na vida, só para escutar…
Os ramos das árvores, soltam sussurros nos braços dos ventos onde a memória escreve recordações em vales banhados pelos néctares das primaveras.
Nas leiras do tempo, escoam-se vidas entre o tempo que dura o cair das folhas dos plátanos, repartido entre manhãs e noites e pouco mais…
Guardamos, sabe-se lá onde, sorrisos largos, tão grandes que por vezes não cabem nos olhos que iluminam a trilha dentro de nós.
Mas também aprendemos a sentir o rolar das lágrimas, pelas pestanas dos rios dos nossos olhos, sem revolta… porque à nossa frente, cantam rouxinóis que desafiam a nossa coragem e assim, a força prevalece.
Tão frágil a vida, e nós, todos nós… mesmos aqueles que pensam ser donos de si próprios, feitos de nada quando uma brisa mais forte sopra…
E assim corre o tempo no rio da vida,
Sóis de amor, de saudade
De luta, de desfrute
De dor, de alegria
Ilusões, vitórias, derrotas…
E assim se julga viver, quando nos é permitido olhar o azul intocável do céu, sentir o cheiro envolvente do mar ou contemplar o simples voo duma gaivota...
Meigo é o silêncio que nos revela a verdade de nada sermos, nos adiamentos, nos sonhos, nas vozes que guardamos em surdina dentro de nós.
Mas no lar da simplicidade semeiam-se nenúfares na íris da vida, pinta-se de cores o breu da noite, inala-se demoradamente o perfume das flores campestres.
É lá que habitam as memórias… permanecem mesmo depois do fim. Escrevem-se no respirar do tempo, nos cantos dos pássaros, nos risos das crianças, nas paredes brancas das casas humildes, no cheiro das madeiras…
Ouves o crepitar do silêncio na lareira do sonhar?
Está reservado aos nobres de espírito. Sei-te um deles!
Vai! Procura o cheiro do rosmaninho nas montanhas, mesmo que tenhas que inventar asas e sobrevoar o teu tempo. Vai! No lugar mais recôndito, encontrarás o que procuras… não estarás só, os olhos dos pássaros dar-te-ão a visão necessária para que possas encontrar a tua verdadeira essência…
Cecília Vilas Boas
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Quando chegares...
Não sei se voltarás
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...( Poesia de JG de Araujo Jorge -
Não sei se voltarás
sei que te espero.
Chegues quando chegares,
ainda estarei de pé, mesmo sem dia,
mesmo que seja noite, ainda estarei de pé.
A gente sempre fica acordado
nessa agonia,
à espera de um amor que acabou sendo fé...
Chegues quando chegares,
se houver tempo, colheremos ainda frutos, como ontem,
a sós;
se for tarde demais, nos deitaremos à sombra e
perguntaremos por nós...( Poesia de JG de Araujo Jorge -
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Para o Meu Ser
segredos...
Procuro a chave dos segredos que os meus olhos escondem…
Pestanejam como se fossem asas silenciosas de pássaros
Em busca da esplendorosa brisa matinal
Atravesso oceanos em folhas de papel repletos de palavras
Ouço a música que toca nos braços da lua
E, num arco de gerânios, balanço o meu corpo levemente...
Olho o mundo sobre as cores do arco-íris
Quedo-me nesta beleza silenciosa...
Os grãos de esperança que se soltam dos meus dedos
Semeiam espigas de bondade, na auréola agitada pelos ventos
Lançando rebentos nas folhas perfumadas da poesia...
Contemplo as gaivotas que povoam o areal no final da tarde...
Permanecem absortas no ondular do vento que vem beijar o mar
E nos fios de luz, saboreiam o silêncio que os Homens deixam ao cair do dia
Gosto de pincelar a alma com os aromas dos jardins
E olhar as nuvens…
Num bailado, desenham cavalos com longas crinas
Que galopam pujantes nas ondas dos mares revoltos
Bebem na voz da maresia, a força dos dias
Os meus olhos…
Que segredos me escondem,
Quando embarcam em cascas de noz e partem de mim…?
Cecília Vilas Boas
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segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Procura-se (Sônia Schmorantz)
Procura-se
A aurora desperta pelo azul do mar,
a quietude outonal de rasga o dia,
a vida que ressurge rara após noite escura.
Procura-se
A esperança que saiu voando sem rumo,
uma alma alada como pássaro,
que desapareceu entre o céu e o mar.
Procura-se
Sonhos pássaros perdidos na névoa tardia,
ventos leves, leves como o pensamento.
Procura-se
Uma chance, uma sorte, uma nova saída,
uma ilha, um pouco de paisagem,
um verso capaz de descrever o instante.
A aurora desperta pelo azul do mar,
a quietude outonal de rasga o dia,
a vida que ressurge rara após noite escura.
Procura-se
A esperança que saiu voando sem rumo,
uma alma alada como pássaro,
que desapareceu entre o céu e o mar.
Procura-se
Sonhos pássaros perdidos na névoa tardia,
ventos leves, leves como o pensamento.
Procura-se
Uma chance, uma sorte, uma nova saída,
uma ilha, um pouco de paisagem,
um verso capaz de descrever o instante.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Serenidade (Arnanda Rabelo)
Na verdade tenho apreciado toda essa quietude.
Uma das coisas que essa vida tem me ensinado é calar-me.
Calar-me quando não tenho as respostas...
Calar-me quando não tenho as perguntas...
Não questionar em hipótese alguma, aquilo que não se pode mudar.
E olha que para mim não tem sido assim tão simples
Tenho as palavras meio inquietas nos lábios
Se eu não tomar cuidado elas saem
sem a minha permissão.
...
Enquanto isso, me permito um carinho e cuidado
Transporto-me á um jardim e deixo que descanse o meu coração.
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
*** Olhar ***
É de manhã
Aqui estou sentada na areia
Contemplo o mar imenso
Suas águas estão verdes e tranqüilas
Mansamente banham as areias
Onde descansam meus
pés
Fecho os olhos e me deixo embalar
Por esta calma que me invade
O pensamento rapidamente se liberta
E vagueia como as ondas indolentes
Criando asas e como as gaivotas brancas
Em sua caça matinal depois voam em direção a ilha
No meio do mar onde fazem sua morada
O meu olhar se perde no horizonte
Pega carona no vento,
o coração se acalma
Meu corpo exaurido pela caminhada se entrega
Sob o sol ameno desta calma manhã
Olho pro céu azul onde vislumbro ainda algumas estrelas
E a lua que mansamente cede lugar ao sol
Entrego-me à carícia morna
De suas águas cristalinas no balanço das ondas
Sinto meu corpo ser levado
E lavado ao sabor das ondas
Deste imenso mar, estou de volta ao lar.
Guarulhos, 10 de
outubro de 1998.
Darcy Bilherbeck.
sábado, 4 de agosto de 2012
**** Coração ***
O coração guarda emoções
que os olhos não escutam
que a boca emudece
que os ouvidos calam
O coração perdoa
o que os olhos não vêm
escondem na boca a angustia
das palavras,
O coração perdoa
o que os ouvidos sentem
no sussurrar das palavras
O coração expressa
quando o "Amor" nasce
O coração se alegra
expande-se quando
os olhos sorriem
O coração vai à boca
quando a saudade aperta
O coração sangra
quando desaparece
a esperança
O coração da gente
é um misto de amor
e alegria, é vento que
canta e dia que nasce
O coração é um jardim
chamado amizade
plantamos sentimentos
que só ele conhece
O coração é um tempo
ou um templo complexo
de emoções constantes
diversas...
O coração lê o que vai
na alma do tempo
quem dera fosse possível
desvendar seus segredos
percorer seus caminhos
filtrar seus vasos
plantar sementes e deixar
sorrisos nas retinas
claras do amor
No tempo templo
de todo ser...
Darcy Bilherbeck
08/08/08
segunda-feira, 30 de julho de 2012
**** Desatino ***
Que grito é esse que explode esparramando larvas
Como um vulcão adormecido que eclode do nada
Que solidão tamanha...
Que desatino é esse que rasga o véu da inércia
Deixando-te despida
das couraças
Que dor tamanha te encobriu tempo afora
Que agora aflora enlouquecido
Cobrando vida, sentimentos e esperanças.
Que tempo é esse que corre e grita
Silencia e alimenta o nada
Que trapaça... Que desgraça te feriu a alma
Para purgares teu desalento
Como larvas corrosivas rasgando tua carne
Deixando-te em frangalhos
Que tempo é esse que não perdoa
A criatura mortal de amar
Amar com toda sua
alma vulnerável
Que só pediu um pouco do muito que poderias dar
Egoísta não percebeu o quanto te feria
Deixando-te sozinha
Sem saber o que fazer desse amor.
São Paulo, 05 de dezembro de 2005.
Darcy Bilherbeck.
quinta-feira, 26 de julho de 2012
*** Por onde Andei ***
Tantos foram os caminhos por onde andei
A tua procura... Talvez
Quando estavas tão perto Chego! Encontro-te
Teus olhos, teu sorriso teu rosto.
Minh’alma te reconhece além do tempo
Sem hesitação... tudo
para mudos numa entrega única
Onde as palavras se calam na garganta
Ali parados inertes uma fração de tempo sem precedentes
Como se nossas velhas almas se reconhecessem
E nesse encantamento... Invade meus segredos mais profundo
Foi tanta a emoção que me perdi de mim
Perdi você em segundos... Ali suspensa
Tocada no mais profundo de meu ser
Guardei com mil segredos, fugi de mim.
E cada segundo que fingi viver por mim
Os vivi por você sem ter noção, fiz de você o sol que me aquecia.
E a luz dos meus dias...
Criei couraças contra o que me feria
Nas minhas solidões te fiz senhor e quando sozinha me
escondo do vazio
Te encontro nos segredos e me perco na tentativa de me achar
em você
Quando me olhas querendo evitar o nosso encontro tão patente
Para não despir os nossos olhos no afago disfarçado de
nossas mãos
Que se tocam ao acaso de um encontro inesperado.
Jundiaí, 20/02/79
Darcy bilherbeck.
sábado, 23 de junho de 2012
Meu Porto Solidão (Deise de Macedo)

Existe um porto solidão onde a noite
é imensamente longa e sufocante,
no céu estrelas cadentes riscam o espaço.
É como um mar com ondas curtas num
chamado frio para o nada,ou uma estrada de chão
sem fim e apenas se ouve o vento assobiar entre as arvores.
O porto solidão é um coração vazio
onde as batidas divagam entre um soluço e outro,
sem detalhes de aconchegos aquecidos.
terça-feira, 22 de maio de 2012
Asas Quebradas
Sou como o pássaro ferido
Contida...
Aprisionada entre a saudade e a loucura
Viajante sem rumo
Nas asas do vento
Tenho as asas quebradas impotentes
Não consigo partir
Tenho os pés cravados neste deserto
Que sou hoje...
Minha alma sonha ser livre e viajar no tempo
Preciso encontrar o teu abraço e nele me perder
Afagar esta ilusão de ter-te ao meu lado outra vês
Esquecer esta solidão infinita que me machuca e me fere
Quero deitar nas areias brancas do teu mar imenso e
Secar meu corpo no calor do teu olhar
E mais uma vês beber da água cristalina que brota da fonte
Que jorra dos teus lábios
Esquecer por um momento a dor da saudade
Que dilacera e me faz enfraquecer
Vem...
Noite sombria cobrir meus anseios por um instante
E deixe-me chorar toda a dor da tua ausência
Só por hoje!
Guarulhos 22/05/12
Darcy Bilherbeck.
terça-feira, 17 de abril de 2012
**** Paralelas***
O tempo passa criando paralelas
Deixando espaços em branco
Andamos pelas mesmas ruas sem nunca permitir
Que se criem laços
Apenas pedaços ínfimos e fracionários
Quando então esse mesmo tempo
Que nos impele e nos arrasta para outros espaços
Fazendo pequenas trapaças num jogo de emoções
Que cria estranhos embaraços
Chocando-nos contra tantos laços
Eu e Você
Como fugitivos de um mundo concreto para o abstrato
Pois tudo que concreto nos intimida e nos afasta
Nossos corpos se chocam entre a escuridão e a claridade de um momento fracionado
E quando nossos olhos se encontram sem reconhecer nos como dois seres
Estranhos em mundos desconhecidos
Querendo que o tempo fosse outro ou outro lugar fosse
Para dividir talvez a beleza de um momento
O que fazer se quando calar a tua ausência é negar a própria existência
Então nossas vozes se calam na tempestade raiada do amanhecer findo
Talvez ganhar o direito de partir para o abstrato e poder em fim
Compartilhar somente a beleza pura
Que nos faz tão diferentes esquecendo os outros que passam
E simplesmente te envolver num imenso abraço
Desvendar os teus olhos e sem embaraços
Pedir que não fizesse com que o tempo outra vez nos afaste
Pois que preciso te preciso nos meus espaços a cada passo
Quando o silencio é tão presente que te reclama
Mesmo no vento que passa...
São Paulo, 07/05/87
Darcy Bilherbeck.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
*** Amor nas Entrelinhas de Tantas Vidas ****
Há! Como preciso ouvir a tua voz,
Quero te ver é a qualquer custo
Que contradição não é você quero, ver.
Necessito tocar o teu corpo, teu rosto e no entanto não é esse corpo que tanto preciso e quero.
Oh Deus por quê?
Se você é o que o que mais quero e não posso ter
pois não é esse corpo que quero e no entanto quero tudo o que se esconde dentro de você.
Trago o espírito inquieto pois quero o que você tem e não me podes dar,
Pois não vive em você, apenas sobrevive,independente da tua vontade e é tão difícil viver
Dessa forma como dizer que te amo num mundo irreal,
que tendo o sol, busco a obscuridade
Tendo a vida busco os espaços vazios do além da vida,
Pois o obscuro da vida que não respira sem você
Pois é espaço está na imensidão do dia e na escuridão da noite
Está aqui... Posso sentir e não posso tocar e isto me alucina
Já não posso querer a liberdade, a vida porque quero ao espaço infinito que se estende ao meu redor, não posso querer a liberdade porque sou uma eterna prisioneira e não sei viver em liberdade.
Como posso querer a vida aqui se não posso te-la com você,
Como? Se a qual eu quero esta na imensidão do espaço e eu estou aqui.
Não posso partir e não posso ficar!
Ficar é viver e viver sem você não tem sentido e com você é tão abstrato.
É tão difícil e eu te quero tanto! Te preciso tanto!
Como o sol ama o dia e a terra necessita de água eu te necessito
Queria ser o ar que necessitas para voltar ao tempo
Ser o vento que te agita nos espaços vazios... Te trazendo a mim
Ser o repouso para ser o teu descanso depois da luta
Ser as estrelas, para guiar os teus passos
Através dos caminhos sombrios até chegares ao infinito
Onde as palavras não fossem necessárias é tão pouco e para mim seria tanto!
Se pudesse transformar em atos todas as palavras ditas e as que estão contidas nos espaços vazios
E não mais sentir o desespero de te saber tão longe e no entanto te sentir tão perto
Como o espaço infinito que agora me cerca
Onde se confunde a ilusão , o amor ao ilusionismo criado como fuga do universo almejado e não alcançado
Chamas de futuro o passado e não saber até quando é presente, quando se ausenta no limiar da esfera da vida.
Ou até onde saber! O estar aqui e estar além do consciente, onde se divide a vida, o sonho, o desejo e a liberdade de ser.
Tempo e espaço em outro ser me deixando tantas vezes sozinha a juntar os meus pedaços
Pedaço por pedaço até onde? Até quando?
Se tudo o que ficou neste momento é o teu riso que se espalha
Como chuva cristalina molhando a minha saudade...
Jundiaí,31/07/1983
Que contradição não é você quero, ver.
Necessito tocar o teu corpo, teu rosto e no entanto não é esse corpo que tanto preciso e quero.
Oh Deus por quê?
Se você é o que o que mais quero e não posso ter
pois não é esse corpo que quero e no entanto quero tudo o que se esconde dentro de você.
Trago o espírito inquieto pois quero o que você tem e não me podes dar,
Pois não vive em você, apenas sobrevive,independente da tua vontade e é tão difícil viver
Dessa forma como dizer que te amo num mundo irreal,
que tendo o sol, busco a obscuridade
Tendo a vida busco os espaços vazios do além da vida,
Pois o obscuro da vida que não respira sem você
Pois é espaço está na imensidão do dia e na escuridão da noite
Está aqui... Posso sentir e não posso tocar e isto me alucina
Já não posso querer a liberdade, a vida porque quero ao espaço infinito que se estende ao meu redor, não posso querer a liberdade porque sou uma eterna prisioneira e não sei viver em liberdade.
Como posso querer a vida aqui se não posso te-la com você,
Como? Se a qual eu quero esta na imensidão do espaço e eu estou aqui.
Não posso partir e não posso ficar!
Ficar é viver e viver sem você não tem sentido e com você é tão abstrato.
É tão difícil e eu te quero tanto! Te preciso tanto!
Como o sol ama o dia e a terra necessita de água eu te necessito
Queria ser o ar que necessitas para voltar ao tempo
Ser o vento que te agita nos espaços vazios... Te trazendo a mim
Ser o repouso para ser o teu descanso depois da luta
Ser as estrelas, para guiar os teus passos
Através dos caminhos sombrios até chegares ao infinito
Onde as palavras não fossem necessárias é tão pouco e para mim seria tanto!
Se pudesse transformar em atos todas as palavras ditas e as que estão contidas nos espaços vazios
E não mais sentir o desespero de te saber tão longe e no entanto te sentir tão perto
Como o espaço infinito que agora me cerca
Onde se confunde a ilusão , o amor ao ilusionismo criado como fuga do universo almejado e não alcançado
Chamas de futuro o passado e não saber até quando é presente, quando se ausenta no limiar da esfera da vida.
Ou até onde saber! O estar aqui e estar além do consciente, onde se divide a vida, o sonho, o desejo e a liberdade de ser.
Tempo e espaço em outro ser me deixando tantas vezes sozinha a juntar os meus pedaços
Pedaço por pedaço até onde? Até quando?
Se tudo o que ficou neste momento é o teu riso que se espalha
Como chuva cristalina molhando a minha saudade...
Jundiaí,31/07/1983
Darcy Bilherbeck.
sábado, 7 de abril de 2012
quinta-feira, 5 de abril de 2012
*** Sábia Natureza****
A natureza sábia e generosa acolhe no seu leito
A tenra e frágil criaturas, as plantas, árvores acolhedoras
Que com seus frutos e sombra alimenta e ameniza o calor
Dando aos homens meios para a sobrevivência no planeta.
O homem consumista e egoísta usa com ganância desmedida e destrutiva
O que generosamente recebe da natureza,
Sem escrúpulo depreda,desmata, corta põe fogo
O fogo queima, arde, consome, transforma em carvão, e cinzas
Ante o olhar insensível do homem seu predador incansável
O fogo abrasador abre fendas profundas nos troncos mais robustos, nas raízes
Porem não as destrói de todo, como se fogo precisasse de ar para continuar
Às raízes ali ficam por tempo indefinido, jogados, amontoados, sem serventia
Aos olhos descuidados.
O fogo já cumpriu seu papel, esculpiu, delineou, talhou.
Com receio do homem
Esconde e ofusca sua obra sob o carvão negro, largado no tempo indiferente ao olhar
Insensível que o rodeia adormece sob escombros.
A natureza espera... Paciente no vão do tempo, até que a curiosidade do ser humano desperta
Como a natureza generosa que espera que a sensibilidade aflore em mentes menos destrutivas e quem sabe recriadoras
Que olham além do feio ou triste alguém que acredite
Que tudo se transforma se tiver coragem de olhar sem criticar ou enojar de sua condição.
Pois não somos todos seres desprovidos de sentimentos. A natureza espera... Sábia conduz a criatura a olhar o feio
E quem sabe seu olhar encontre a fonte para sua obra. São olhos, são mãos que buscam um motivo para sensibilizar
E nessa busca para, atraído por tantas raízes queimadas e amontoadas, compadecida recolhe destroços que estão jogados, esquecidos
E a sensibilidade aflora e nasce um amor até então desconhecido, despretencioso, mas cuidadoso, cauteloso recolhe
Num simples carrinho de mão
E os leva para casa com se fosse um ferido necessitando de socorro e cuidado
Por onde passa desperta olhares de curiosos
Como se aquele ser estivesse tendo um surto de
Desvario e loucura
Paro e penso! Quem é realmente o louco, o que desmata, corta e queima ou aquele que recolhe e tenta sem saber como, salvar!
Que importa... Sigo em frente confiante que posso fazer algo.
Com generosidade lava limpa seus despojos, cuida de suas feridas tirando o carvão consumido pelo fogo,e pela enésima vez lava suas feridas e surpresa descobre lá no fundo o que a sábia natureza permitiu que o fogo esculpisse e que mais uma vez o ser humano descobrisse a beleza do artista fogo
Sujeito à natureza que usa a sensibilidade e transforma o sem forma em formas inusitadas
Mostrando mais uma vez que tudo podemos. Assim nasceram minhas obras em raízes de árvores queimadas,
Muito amor e muita sensibilidade e acima de tudo que sou apenas a socorrista o fogo é o grande escultor.

Itaipuaçu 2002
Darcy Bilherbeck.
Renata Facundes
"Aprendi que nada é tão grande como a gente vê.
Ainda bem!
Decidi descomplicar o simples, simplificar os dias.
A gente planeja tanto, aí vem o inesperado fazendo festa, rindo dos nossos projetos
megalomaníacos, nos ensinar que muita coisa depende de nós, mas que a vida é muito
mais que um bloco de notas.
Vem nos mostrar que não existe receita pronta, palavra certa, escolhas erradas,
a vida se apresenta cada dia com uma nova roupa e cabe a nós tirá-la para
dançar ou ficarmos sentados esperando a coragem chegar.
Reaprendi a construir caminhos sem me preocupar com a chegada,
Reaprendi a construir caminhos sem me preocupar com a chegada,
apenas com cada passo da caminhada."
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