segunda-feira, 30 de julho de 2012



                                              **** Desatino ***
Que grito é esse que explode esparramando larvas
Como um vulcão adormecido que eclode do nada
Que solidão tamanha...
Que desatino é esse que rasga o véu da inércia
 Deixando-te despida das couraças
Que dor tamanha te encobriu tempo afora
Que agora aflora enlouquecido
Cobrando vida, sentimentos e esperanças.
Que tempo é esse que corre e grita
Silencia e alimenta o nada
Que trapaça... Que desgraça te feriu a alma
Para purgares teu desalento
Como larvas corrosivas rasgando tua carne
 Deixando-te em frangalhos
Que tempo é esse que não perdoa
A criatura mortal de amar
 Amar com toda sua alma vulnerável
Que só pediu um pouco do muito que poderias dar
Egoísta não percebeu o quanto te feria
Deixando-te sozinha
Sem saber o que fazer desse amor.

São Paulo, 05 de dezembro de 2005.

Darcy Bilherbeck.

quinta-feira, 26 de julho de 2012


*** Por onde Andei ***
Tantos foram os caminhos por onde andei
A tua procura... Talvez
Quando estavas tão perto Chego! Encontro-te
Teus olhos, teu sorriso teu rosto.
Minh’alma te reconhece além do tempo
Sem hesitação...  tudo para mudos numa entrega única
Onde as palavras se calam na garganta
Ali parados inertes uma fração de tempo sem precedentes
Como se nossas velhas almas se reconhecessem
E nesse encantamento... Invade meus segredos mais profundo
Foi tanta a emoção que me perdi de mim
Perdi você em segundos... Ali suspensa
Tocada no mais profundo de meu ser
Guardei com mil segredos, fugi de mim.
E cada segundo que fingi viver por mim
Os vivi por você sem ter noção, fiz de você o sol que me aquecia.
E a luz dos meus dias...
Criei couraças contra o que me feria
Nas minhas solidões te fiz senhor e quando sozinha me escondo do vazio
Te encontro nos segredos e me perco na tentativa de me achar em você
Quando me olhas querendo evitar o nosso encontro tão patente
Para não despir os nossos olhos no afago disfarçado de nossas mãos
Que se tocam ao acaso de um encontro inesperado.
Jundiaí, 20/02/79
Darcy bilherbeck.

sábado, 23 de junho de 2012

Meu Porto Solidão (Deise de Macedo)




Existe  um porto solidão onde a noite 
é imensamente longa e sufocante,
no céu estrelas cadentes riscam o espaço.

É como um mar com ondas curtas num 
chamado frio para o nada,ou uma estrada de chão 
sem fim e apenas se ouve o vento assobiar entre as arvores.

O porto solidão é um coração vazio
onde as batidas divagam entre um soluço e outro, 
sem detalhes de aconchegos aquecidos.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Asas Quebradas







Sou como o pássaro ferido
Contida...
Aprisionada entre a saudade e a loucura
Viajante sem rumo
Nas asas do vento
Tenho as asas quebradas impotentes
Não consigo partir
Tenho os pés cravados neste deserto
Que sou hoje...
Minha alma sonha ser livre e viajar no tempo
Preciso encontrar o teu abraço e nele me perder
Afagar esta ilusão de ter-te ao meu lado outra vês
Esquecer esta solidão infinita que me machuca e me fere
Quero deitar nas areias brancas do teu mar imenso e
Secar meu corpo no calor do teu olhar
E mais uma vês beber da água cristalina que brota da fonte
Que jorra dos teus lábios
Esquecer por um momento a dor da saudade
Que dilacera e me faz enfraquecer
Vem...
Noite sombria cobrir meus anseios por um instante
E deixe-me chorar toda a dor da tua ausência
Só por hoje!

Guarulhos 22/05/12
Darcy Bilherbeck.

terça-feira, 17 de abril de 2012

**** Paralelas***


O tempo passa criando paralelas
Deixando espaços em branco
Andamos pelas mesmas ruas sem nunca permitir
Que se criem laços
Apenas pedaços ínfimos e fracionários
Quando então esse mesmo tempo
Que nos impele e nos arrasta para outros espaços
Fazendo pequenas trapaças num jogo de emoções
Que cria estranhos embaraços
Chocando-nos contra tantos laços
Eu e Você
Como fugitivos de um mundo concreto para o abstrato
Pois tudo que concreto nos intimida e nos afasta
Nossos corpos se chocam entre a escuridão e a claridade de um momento fracionado
E quando nossos olhos se encontram sem reconhecer nos como dois seres
Estranhos em mundos desconhecidos
Querendo que o tempo fosse outro ou outro lugar fosse
Para dividir talvez a beleza de um momento
O que fazer se quando calar a tua ausência é negar a própria existência
Então nossas vozes se calam na tempestade raiada do amanhecer findo
Talvez ganhar o direito de partir para o abstrato e poder em fim
Compartilhar somente a beleza pura
Que nos faz tão diferentes esquecendo os outros que passam
E simplesmente te envolver num imenso abraço
 Desvendar os teus olhos e sem embaraços
Pedir que não fizesse com que o tempo outra vez nos afaste
Pois que preciso te preciso nos meus espaços a cada passo
Quando o silencio é tão presente que te reclama
Mesmo no vento que passa...

São Paulo, 07/05/87
Darcy Bilherbeck.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

*** Amor nas Entrelinhas de Tantas Vidas ****



Há! Como preciso ouvir a tua voz,
Quero te ver é a qualquer custo
Que contradição não é você quero, ver.
Necessito tocar o teu corpo, teu rosto e no entanto não é esse corpo que tanto preciso e quero.
Oh Deus por quê?
Se você é o que o que mais quero e não posso ter
pois não é esse corpo que quero e no entanto quero tudo o que se esconde dentro de você.
Trago o espírito inquieto pois quero o que você tem e não me podes dar,
Pois não vive em você, apenas sobrevive,independente da tua vontade e é tão difícil viver
Dessa forma como dizer que te amo num mundo irreal,
que tendo o sol, busco a obscuridade
Tendo a vida busco os espaços vazios do além da vida,
Pois o obscuro da vida que não respira sem você
Pois é espaço está na imensidão do dia e na escuridão da noite
Está aqui... Posso sentir e não posso tocar e isto me alucina
 Já não posso querer a liberdade, a vida porque quero ao espaço infinito que se estende ao meu redor, não posso querer a liberdade porque sou uma eterna prisioneira e não sei viver em liberdade.
Como posso querer a vida aqui se não posso te-la com você,
 Como? Se a qual eu quero esta na imensidão do espaço e eu estou aqui.
Não posso partir e não posso ficar!
Ficar é viver e viver sem você não tem sentido e com você é tão abstrato.
 É tão difícil e eu te quero tanto! Te preciso tanto!
Como o sol ama o dia e a terra necessita de água eu te necessito
Queria ser o ar que necessitas para voltar ao tempo
Ser o vento que te agita nos espaços vazios... Te trazendo a mim
Ser o repouso para ser o teu descanso depois da luta
Ser as estrelas, para guiar os teus passos
Através dos caminhos sombrios até chegares ao infinito
Onde as palavras não fossem necessárias é tão pouco e para mim seria tanto!
Se pudesse transformar em atos todas as palavras ditas e as que estão contidas nos espaços vazios
E não mais sentir o desespero de te saber tão longe e no entanto te sentir tão perto
Como o espaço infinito que agora me cerca
Onde se confunde a ilusão , o amor ao ilusionismo criado como fuga do universo almejado e não alcançado
Chamas de futuro o passado e não saber até quando é presente, quando se ausenta no limiar da esfera da vida.
Ou até onde saber! O estar aqui e estar além do consciente, onde se divide a vida, o sonho, o desejo e a liberdade de ser.
Tempo e espaço em outro ser me deixando tantas vezes sozinha a juntar os meus pedaços
Pedaço por pedaço até onde? Até quando?
Se tudo o que ficou neste momento é o teu riso que se espalha
Como chuva cristalina molhando a minha saudade...


Jundiaí,31/07/1983
                         
Darcy Bilherbeck.










      

quinta-feira, 5 de abril de 2012

*** Sábia Natureza****

 







                                 
A natureza sábia e generosa acolhe no seu leito
A tenra e frágil criaturas, as plantas, árvores acolhedoras
Que com seus frutos e sombra alimenta e ameniza o calor                           
Dando aos homens meios para a sobrevivência no planeta.
O homem consumista e egoísta usa com ganância desmedida e destrutiva
O que generosamente recebe da natureza,
Sem escrúpulo depreda,desmata, corta põe fogo
O fogo queima, arde, consome, transforma em carvão, e cinzas
Ante o olhar insensível do homem seu predador incansável
O fogo abrasador abre fendas profundas nos troncos mais robustos, nas raízes
Porem não as destrói de todo, como se fogo precisasse de ar para continuar
Consome-se.
Às raízes ali ficam por tempo indefinido, jogados, amontoados, sem serventia
Aos olhos descuidados.
 O fogo já cumpriu seu papel, esculpiu, delineou, talhou.
 Com receio do homem
 Esconde e ofusca sua obra sob o carvão negro, largado no tempo indiferente ao olhar
 Insensível que o rodeia adormece sob escombros.
A natureza espera... Paciente no vão do tempo, até que a curiosidade do ser humano desperta
Como a natureza generosa que espera que a sensibilidade aflore em mentes menos destrutivas e quem sabe recriadoras
 Que olham além do feio ou triste alguém que acredite
Que tudo se transforma se tiver coragem de olhar sem criticar ou enojar de sua condição.
Pois não somos todos seres desprovidos de sentimentos. A natureza espera... Sábia conduz a criatura a olhar o feio
E quem sabe seu olhar encontre a fonte para sua obra. São olhos, são mãos que buscam um motivo para sensibilizar
E nessa busca para, atraído por tantas raízes queimadas e amontoadas, compadecida recolhe destroços que estão jogados, esquecidos
E a sensibilidade aflora e nasce um amor até então desconhecido, despretencioso, mas cuidadoso, cauteloso recolhe
 Num simples carrinho de mão
E os leva para casa com se fosse um ferido necessitando de socorro e cuidado
Por onde passa desperta olhares de curiosos
Como se aquele ser estivesse tendo um surto de
Desvario e loucura
Paro e penso! Quem é realmente o louco, o que desmata, corta e queima ou aquele que recolhe e tenta sem saber como, salvar!
 Que importa... Sigo em frente confiante que posso fazer algo.
Com generosidade lava limpa seus despojos, cuida de suas feridas tirando o carvão consumido pelo fogo,e pela enésima vez lava suas feridas e surpresa descobre lá no fundo o que a sábia natureza permitiu que o fogo esculpisse e que mais uma vez o ser humano descobrisse a beleza do artista fogo
 Sujeito à natureza que usa a sensibilidade e transforma o sem forma em formas inusitadas
Mostrando mais uma vez que tudo podemos. Assim nasceram minhas obras em raízes de árvores queimadas,
 Muito amor e muita sensibilidade e acima de tudo que sou apenas a socorrista o fogo é o grande escultor.







Itaipuaçu 2002

Darcy Bilherbeck.



Renata Facundes

"Aprendi que nada é tão grande como a gente vê.
 Ainda bem! 
Decidi descomplicar o simples, simplificar os dias. 
A gente planeja tanto, aí vem o inesperado fazendo festa, rindo dos nossos projetos 
megalomaníacos, nos ensinar que muita coisa depende de nós, mas que a vida é muito 
mais que um bloco de notas.
Vem nos mostrar que não existe receita pronta, palavra certa, escolhas erradas, 
a vida se apresenta cada dia com uma nova roupa e cabe a nós tirá-la para
dançar ou ficarmos sentados esperando a coragem chegar.
Reaprendi a construir caminhos sem me preocupar com a chegada,
apenas com cada passo da caminhada."

sábado, 31 de março de 2012

*** Amanhecer ***

A cada dia que nasce com sol brilhante 
ou chuva cristalina agradecemos ao Criador 
por sua bondade, pois atravez dela semeamos
plantamos e colhemos, sejam flores sejam amizades.
Suas raizes se apronfundam na terra, 
flores perfumam o nosso dia e as amizades nos mantem em pé.
A cada dia nascem mais flores e mais amizades o solo é fértil.
O amor é grandioso e pode curar todas as feridas
sejam elas da alma ou do físico.
A distância se anula como a brisa do mar
o mesmo sol que te aquece
tambem clareia o meu dia e meu espirito
quando nos olhamos como semelhantes
e nos amamos como próximos.
Fazemos parte do mesmo céu e da mesma
terra, somos irmãos e nos queremos como tal
enfrentamos a distância e anulamos o tempo
da separação.
Guarulhos 12/02/12
Darcy Bilherbeck

*** Encontro de Almas ***

Tantos foram os caminhos por onde andei
A procura de mim, de você não sei!
Meus olhos cegos não viam além da realidade aparente
Quando deixei de olhar o agora e olhei além da cortina
Que encobria meus olhos naturais
Chego! De onde não sei definir o tempo
Encontro-te e tudo é real
Teu sorriso, teus olhos, teu rosto.
Minh`alma te reconhece através e além do tempo
O tempo para, mudos numa entrega única.
Onde as palavras se perdem e as lembranças do passado se tornam pó
E nossas almas se entregam mudas
Invades os meus segredos mais profundos
Parada sem ação pregada ao solo
As emoções mais sublimes me tocam o coração
A alma e os meus sentidos mais sensíveis
Tanta emoção assim!
Retrocedi no tempo ou fugi dele e sem querer
Entreguei-me cada vez mais, cada segundo que fingi viver por mim.
Os vivi por você e sem perceber fiz de você o sol que me aquecia
E a luz dos meus dias
As minhas alegrias as fundei no teu sorriso, criando couraças.
Para não me ferir
Nas minhas solidões te fiz senhor
Quando me escondo do vazio te encontro nos meus segredos mais profundos
 Perco-me na tentativa de me achar em você
E quando me olhas querendo evitar esse encontro tão patente
Para não despir os nossos olhos no afago disfarçado de nossas mãos
Que se tocam no acaso de um momento
Que sabemos e sentimos o quanto é difícil nos mantermos alheios
A esse sentimento que nos aproxima e nos afasta impiedosamente
Fazendo-nos calar...

Guarulhos, 31/03/12

Darcy Bilherbeck

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

**** Hoje ****


Hoje!
Sou à força das águas
Intempestiva
avassaladora
Que incontida estravaza e avança
Aniquilando espaços.
Hoje sou o mar revolto explodindo
Exigindo espaço
Rompendo barreiras
Afoita como o vento que arrasa os sentidos mais ocultos
Criando força se transformando em tempestade...
Afogando segredos lavando feridas
Mal curadas
Expurgando magoas.
Hoje sou mar pungente
sou mar sem fronteira...
Buscando calmarias em lugares longínquos, onde possa ancorar minha alma vazia de amores passados.
E com olhos lavados da ignomia que o transtornava.
 Virar águas envolventes, tranqüilas, cristalinas onde possa me olhar de corpo inteiro
E me encontrar transparente como o mar.
Já sem pressa de chegar.


São Paulo, 20/02/2012

               
             Darcy Bilherbeck.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

*** Janela ***


Uma simples janela
Que se transforma
Viva e graciosa quando te recebe
De braços abertos...
Alegria que se confunde
 Com a tua presença tão esperada
Sinto a brisa no teu rosto
No balanço do vento, no agitar das cortinas
 Tempo de amar...
 as flores exalam seu perfume
Aberta!... Tendo você entre os braços
O tempo passa você se afasta
Tudo é vazio, só os meus olhos te
Procuram através da vidraça
Anoitece...
Apenas o vazio é tão presente
Como ferro, massa e concreto
È apenas uma janela sem você
Entre os braços.

                             Jundiaí, 27 de outubro de 1984.
           
                                             Darcy Bilherbeck.